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Resenha: Limbo

Olá, pessoal! Meu nome é Renan Santos e sou o novo colaborador do blog. Também escrevo no blog Ponto de Acumulação, sou um dos editores do Clube de Autores de Fantasia, leitor, viciado em séries e jogos e estudo matemática nas horas vagas. Aqui no blog do Anderson, irei falar sobre literatura em geral.

Mas enfim, para iniciar a minha coluna em grande estilo, hoje eu trago uma resenha de um livro maravilhoso. Trata-se de Limbo, do Thiago d’Evecque, uma fantasia sombria incrível.

 

Obra: Limbo

Autor: Thiago d’Evecque

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: dark fantasy

Número de páginas: 165

Sinopse:

O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar.

Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico.

Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista.

 

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A premissa do livro é bem clara. Temos o protagonista\narrador que acorda sem memória no Limbo. Apesar de não lembrar que é, ele sabe que tem uma missão: enviar de volta para a Terra 12 almas que estavam esquecidas no Limbo, na esperança de salvar a humanidade. Um a um, ele vista os escolhidos e tenta convencê-los a retornar (ou força-los a isso). A primeira vista, pode parecer algo repetitivo. E de fato, o começo é. Mas a coisa melhora a partir da quarta alma. O legal é que todas as doze almas são figuras conhecidas da cultura popular (ou pelo menos em alguma cultura; por exemplo, a segunda alma, Tomoe Gozen é uma guerreira lendária japonesa). Cada uma das almas tinha uma característica prezada pelo narrador, que, na sua visão, seria útil para a salvação da humanidade.

O que é interessante é que o desenvolvimento da história tem toda uma estrutura de RPG. É como se o protagonista estivesse em uma quest, onde tem que interagir com alguns NPC’s e enfrentar alguns boss. E a cada alma que o narrador encontra, vai ficando cada vez mais difícil. O fato de ele ter tido sua memória apagada, só reforça este cenário; e é legal, pois ajuda a criar identificação com o leitor, que também não sabe o que está acontecendo. E, claro, isso contribui para que queiramos avançar cada vez mais na história e descobrir a identidade do narrador. E, ladies and gentleman, ela é revelada em um grande plot twist nada trivial de antever. Eu saquei quem era, mas apenas porque comecei lendo com estre propósito (todo mundo dizia que não tinha sacado, então tomei como desafio pessoal), fiz anotações, li com calma, contive a curiosidade e fiz pausas.

O cenário me agradou bastante, pela sua natureza mutável. O Limbo é o lugar para onde as almas vão, esperando o derradeiro julgamento. O Limbo em si é negro e sem forma, mas cada alma o vê da sua própria maneira. Assim, cada vez que nosso protagonista visita uma alma, é nos apresentado um cenário completamente novo e bem descrito. Cada alma vive em seu mundo particular e algumas nem sabem que estão mortas. Achei isso tão simbólico.

E os personagens? Maravilhosos. O livro é curto, então não dá pra exatamente desenvolver todos as 12 almas. Mas bem, o que Thiago fez foi pegar alguns personagens já conhecidos do imaginário popular e fazer uma releitura de suas histórias, então acho que ele se aprofundou na medida certa quanto ao desenvolvimento deles. Um ponto negativo é a forma como ele fez isso. O texto é cheio de imfodump. Não que seja tão ruim assim. A narrativa é em primeira pessoa, então acho que isso torna os infodump mais aceitáveis. Porém, acredito que teria sido mais interessante diluir as informações históricas dos personagens em diálogos mais soltos, em vez de simplesmente jogar as informações na cara do leitor. Isso deixaria o texto um pouco maior, porém mais leve.

Ainda falando sobre os personagens, não posso deixar de comentar sobre a dupla principal. Temos o narrador desmemoriado e seu parceiro, a alma de um odioso deus esquecido no Limbo e preso dentro de uma espada. Evidentemente que o narrador foi o personagem mais bem desenvolvido, não apenas por ser o protagonista, mas porque vamos aprendendo mais sobre ele, junto com ele, à medida que recupera a memória. O plot twist é uma revelação tanto para nós quanto para ele. O que mais encanta no protagonista é este ar de mistério e sua fé na salvação humanidade.

Mas quem se destaca mesmo é seu companheiro. Ele é a alma de um terrível, insano, inominável e odioso deus, que foi esquecido pela humanidade, e que foi aprisionado dentro de uma espada. Só que não. Cacá (como o narrador apelidou o deus, cujo nome é impronunciável) é um personagem incrível e também o alívio cômico do livro. É até meio clichê (sabe aquele personagem que quer ser mal e trevoso, mas acaba sendo fofo?), mas é justamente este o ponto: não tem como não amar Cacá. Ele (que é uma clara referência à Cthulhu, entidade cósmica criado por H.P. Lovecraft) é o personagem que rouba a cena no livro, com seus comentários sarcásticos e suas (falhas) tentativas em ser odioso. Juntos, narrador e Cacá, são uma dupla única, por serem tão diferentes e a mesmo tempo tão parecidos.

Falando em referências, este é outro ponto maravilhoso no livro. O livro é um show de referências à cultura pop e isso é algo que aprecio muito. Teve várias que eu não peguei (a maioria de jogos, certamente). As que mais gostei foram as referências ao Guia do Mochileiro das Galáxias. Ah, e apesar de ser uma fantasia sombria, o livro também tem umas partes bem engraçadas, e algumas tiradas geniais, no maior estilo Douglas Adams, o que torna a leitura ainda mais leve. E livro também tem alguns bons diálogos.

A escrita é boa e mesmo as partes imfodump, que comentei acima, fluem bem. Mas, como já comentei, seria mais interessante diluir as informações jogadas para o leitor em forma diálogos, entre o narrador e Cacá. Notei também uma tendência a misturar presente e passado na narração, especialmente no começo do livro. As descrições são boas (às vezes quase poéticas). E o final. Que final, senhores, que final. O clímax (no antepenúltimo capítulo) foi emocionante; o penúltimo é mind blowing (pelo menos pra quem não sacou a identidade do narrador antes 😛 ) e o último capítulo… isso sim é que saber escolher as últimas linhas, as palavras que fecharão o livro; é masterpiece.

Enfim, recomendo muito esse livro, deste que é certamente uma promessa da fantasia nacional.

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